Breve História da Cerveja – Parte II

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Breve História da Cerveja – Parte II

 

Tradição Belga

 

Tradição da Bélgica na fabricação da cerveja não deixa a desejar a nenhum país do mundo, muito pelo contrário, mesmo não tendo altas taxas de consumo per capto leva o título do país com mais cervejarias per capto do mundo, tendo em média uma cervejaria para cerca de 146 habitantes, claro que são na sua maioria micro cervejarias, mas isto também lhe garante a maior variedade de sabores de cerveja, que nenhum país na atualidade consegue alcançar.

 

Da Bélgica também vem uma das melhores cervejas do mundo, senão a melhor, as cervejas trappista originária dos mosteiros dos monges de mesmo nome, excelentes conhecedores de cerveja e grandes responsáveis pela disseminação da cultura cervejeira, pois na Europa Medieval, quando ainda não se fabricava cerveja em escala industrial os monges trappistas já a fabricavam em grande escala fazendo às vezes de fornecedores da população local.

 

Além disso, muitas cervejarias da Bélgica mantém técnicas medievais de produção da cerveja, como fermentação em tanques abertos e também fermentação espontânea, onde a levedura local vai se alojando lentamente nas tinas de fermentação, criando assim cervejas que só podem ser encontradas nesta região.

 

Tradição Tcheca

 

República Tcheca leva o título de maior consumidora de cerveja do planeta, consumindo cerca de 160 litros per capto ano, contra 117 da Alemanha, segunda colocada, sendo que para os Tchecos a cerveja é incontestavelmente a rainha das bebidas. Desde tempos remotos se conhecem no país os efeitos benéficos da cerveja, sendo que se menciona isto pela primeira vez em um documento escrito no ano de 993, já as notícias sobre a existência de cervejarias remontam ao ano de 1038.

 

Para a República Tcheca vale o reconhecimento pela criação da cerveja mais consumida mundialmente, a Pílsen, que foi criada na cidade de mesmo nome na região da Bohêmia em 1842, que hoje leva o nome de “Pílsner Urquell”.

 

A Cerveja no Brasil

 

No Brasil colônia, a cerveja consumida era importada exclusivamente de Portugal, mas com a abertura dos portos por Dom João VI, passou a ser importada da Inglaterra em barris de carvalho ou fabricada artesanalmente por pessoas que se aventuravam no ofício.

As primeiras cervejas fabricadas artesanalmente ficaram conhecidas como “cerveja barbante” ou “cerveja marca barbante”, onde se utilizavam rolhas de vinho para fechar as garrafas e devido à pressão de gás nas garrafas fazia com que a rolha explodisse, então para resolver este problema o bocal das garrafas eram envolvidos com barbante. Como geralmente a origem destas cervejas não eram muito confiáveis à expressão “marca barbante”, ficou conhecida como algo de pouca qualidade.

 

Somente em 1853 surgiria a primeira cervejaria brasileira, a Companhia Bohêmia, na cidade de Petrópolis no Rio de Janeiro. Em 1877 nascia à primeira cerveja brasileira puro malte, Bavária Premium, fundada em São Paulo por Heinrich Stupakoff e Cia Ltda, que hoje pertence à Heineken.

Em 1888 foi fundada no Rio de Janeiro, a Manufatura de Cerveja Brahma, Villiger e Cia, de propriedade do engenheiro suíço Joseph Villiger. Em 1894, a pequena cervejaria foi vendida para a firma George Maschke e Cia, que modernizou e ampliou. Em 1904, aconteceu à fusão da cervejaria de Maschke com a Preiss, Haussler e Cia, resultando, então, a companhia Cervejaria Brahma. Em 1980, a Brahma assumiu o controle acionário da Skol.

 

Companhia Antarctica Paulista foi a segunda cervejaria de porte que surgiu no Brasil em 1891. A primeira unidade de produção que entrou em funcionamento estava instalada no Parque Antarctica, no bairro de Água Branca. Da mesma forma que sua grande concorrente, a Brahma, a Antarctica também procura superar o problema de importação de cevada, desenvolvendo um programa de pesquisa, para adaptar ao clima e às condições do sul do Brasil, algumas variedades de cevada cervejeira. Dentre as empresas de grande porte, a Antártica possui uma grande tradição como anunciante, sendo mesmo considerada a mais antiga anunciante no mercado brasileiro.

Paralelamente à história das duas maiores cervejarias do Brasil, muitas outras pequenas fábricas regionais surgiram e algumas, até ganharam expressão nacional. A maioria delas, entretanto, não conseguiu sobreviver por muitos anos, ou foi absorvida pela Brahma ou pela Antártica. O Fato triste destas aquisições é que boas cervejas acabaram sumindo do mapa, pois se por um lado a Cia Antarctica conservava algumas marcas regionais como, Original, Polar e Serramalte a Cia Brahma se sobrepunha as marcas adquiridas.

 

Cervejaria Caracu foi fundada em 1899, na cidade paulista de Rio Claro, pelo grupo Nicolau Scarpa. A Caracu foi a primeira cerveja preta da América Latina que, pela sua qualidade, recebeu prêmios internacionais na Inglaterra e na Itália. Em 1969, passou para o grupo português Sagres, cujo nome passa para Cervejarias Reunidas Skol – Caracu S/A. Na década de 70, ela foi a pioneira do Brasil a lançar a cerveja em lata, produzida pela fábrica de Rio Claro.

 

Cerveja Kaiser, fabricada por distribuidores da Coca Cola, foi lançada em 1982, em Minas Gerais, com a inauguração da Cervejaria Kaiser Minas S/A, em Divinópolis. Pouco tempo depois, duas empresas ligadas ao ramo de refrigerantes aderiram a Kaiser, fundando as fábricas Cervejaria Kaiser Rio S/A e Cervejaria Kaiser São Paulo S/A, em Mogi Mirim e em Jacareí, mais tarde, surgiu a Companhia Sul Brasil de Cerveja, em Gravataí, Rio Grande do Sul. Hoje a Kaiser é propriedade da Heineken.

 

Fábrica Cerpasa do Pará começou a produzir a cerveja Cerpa a partir de 1966, uma cerveja que goza de reputação nacional. As cervejas de Schincariol, de Itú, São Paulo e, Belco, de São Manuel, São Paulo, são produtos com crescente aceitação no mercado. A Cerveja mineira Ouro Fino teve seus dias de sucesso e, mais tarde, foi absorvida pela Skol. No estado do Rio, existem ainda famosas marcas como a Black Princess, produzida pela Cervejaria Princesa, e a Sul-Americana, do mesmo nome da Fábrica.

A cerveja, assim como o vinho, o pão e o vidro formam um grupo de produtos com origem muito antiga e um processo de fabrico simples e muito disseminado. Na antiguidade a sua produção era uma atribuição das mulheres que deveria prover o alimento da família, enquanto o homem era responsável pelo trabalho braçal e só com o advento da produção em grande escala é que a cerveja passou a ser uma atribuição dos homens, formando ai os mestres cervejeiros.

 

No Brasil isto não foi diferente, enquanto nos grandes centros as grandes cervejarias se destacavam, nas comunidades interioranas a produção caseira de cerveja era largamente disseminada, principalmente nas comunidades de origem alemã. Porém esta tradição foi caindo em desuso, até que na década de 1990, começa um movimento forte de cervejeiros caseiros e artesanais em nosso país.

 

No final da década de 1990 e durante a década de 2000, surgiram muitas micro cervejarias, primando pela qualidade e sabor de cervejas. Destas podemos destacar: Abadessa, Coruja, Withehead no Rio grande do Sul, Eisenbahn, Bierland, Zehn Bier, Bierbaum em Santa Catarina, Klein Bier no Paraná, Baden Baden em São Paulo, Falke Bier em Minas Gerais e ainda muitas outras espalhadas pelo Brasil.

 

O mercado de cerveja no Brasil, ainda vem se consolidando no últimos anos, com a fusão entre Antartica e Braham, surgindo a Ambev. Com forte atuação no mercado mundial, detém várias marcas famosas, como Stella Artois e Budweiser. Esta recentemente entrou na briga pelo mercado de cervejas especiais, adquirindo cervejarias como a Walls, e ainda criando novos rótulos em cervejas especiais.

Na onda das fusões, e visando o crescente mercado de cervejas especiais, a Cervejaria Schincariol, compra a Baden Baden (São Paulo), Devassa (Rio de janeiro) e Eisenbahn (Santa Catarina). Mais tarde é vendida para o grupo Kirin, de cervejas Japonesas, que recentemente foi adquirido pela Companhia Heineken, que já havia comprado em meados da década de 2010, a cervejaria mexicana FENSA, que detinha a fabricação da Kaiser no Brasil.

 

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