O que é Cerveja? – Parte I

DEFINIÇÃO.

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Oque é Cerveja? – Parte I

 

Definição:

 

Qual a Definição do que é Cerveja?

 

Bem, o significado de cerveja, nos melhores dicionários, é:

“Substantivo Feminino – Bebida levemente alcoólica, obtida pela fermentação da cevada e aromatizada com lúpulo.” CEVADA

 

Esta seria uma boa definição. Porém, quando olhamos a história da cerveja, vemos que num período que pode chegar à 10.000 anos, partindo da Mesopotâmia, a Cerveja se espalhou pelo mundo com a diáspora humana.

 

O grande problema das civilizações que iam se formando ao redor do globo, seria encontrar a cevada, uma vez que os primeiros colonizadores de terras distantes, das civilizações do Oriente Médio, eram nômades, e iam se afastando de terras onde a cevada era abundante, para terras onde não se encontrava cevada. Logo, estes povos tiveram que levar mão de novos produtos como fonte de fermentáveis, que substituíssem o amido da cevada.

 

Temos alguns exemplos de cervejas na América Latina, onde os índios sul americanos, faziam um fermentado utilizando raspas de mandioca. Ou os índios nas Américas Centrais e Norte, utilizavam o milho como fonte de amido.

Porém, a cevada como base da cerveja é descrita em várias fontes antigas: Sumérios, Fenícios, Babilônicos, Egípcios, Hebraicos, Chineses, Romanos, e muitos outros povos. Mas não é a única fonte, visto que em outros povos notamos outras fontes como base de amido.

LÚPULO

 

lúpulo provavelmente começa a ser empregado na cerveja, no século X DC. Onde monges de Abadias Bávaras, se dão conta, de que, ao adicionarem as flores femininas de lúpulo, à mistura do “Gruit*” usado na cerveja, diminuía a probabilidade de contaminação e ela se mantinha por mais tempo.

*Gruit – O gruit era uma mistura de ervas, flores, cascas vegetais, onde se compunha uma mistura macerada, para diminuir o adocicado proporcionado pelo malte e ainda saborização da cerveja.

 

A medida que na região da Bavária, se popularizava o lúpulo, o mesmo foi empregado como único condimento da cerveja, na promulgação pelo Duque Guilherme IV da Baviera, da Reinheitsgebot, em 23 de Abril de 1516, a incensada “Lei de Pureza Alemã”.

A medida que a utilização do lúpulo se espalhou pela Alemanha, e com o desenvolvimento das cervejas Lager, onde o lúpulo, passou a ser um ingrediente principal (juntamente com a água e malte), também se espalhou nos países que sofreram a larga influência da escola alemã, passando a ser considerado como um dos ingredientes principais.

LEVEDURA

 

Até o século IX, a fermentação da cerveja se dava de uma maneira muito rústica, o mosto era deixado em uma tina aberta e as leveduras do ar se alojavam no mosto, fazendo lentamente a fermentação. Além disso havia a ajuda do mestre cervejeiro, que não costumava lavar a sua pá. Assim, as leveduras de uma leva anterior, que se prendiam na pá, se dissolviam no mosto novo, reforçando assim a fermentação.

Só com as descobertas de Louis Pasteur, é que tornou-se possível a seleção e classificação de cepas distintas de levedura, o que possibilitou um melhor controle no processo de fermentação.

 

Existem duas famílias de leveduras usuais em cervejarias, as denominadas ALE (alta fermentação, que fermentam em temperatura que pode variar entre 16°C e 24°C), e as LAGER (baixa fermentação, que trabalham em temperaturas que variam entre 9°C a 16°C).

 

Também temos leveduras chamadas brettanomyces ou mais conhecidas como leveduras selvagens. Na maioria dos estilos de cervejas a Brettanomyces é vista como um contaminante e as características que ela atribui são consideradas indesejáveis ​​transmitindo “off-flavours.” No entanto, em alguns estilos, particularmente certas cervejas belgas, é apreciado e encorajado. Lambic e gueuze devem seus perfis únicos de sabor a Brettanomyces; também é encontrada em Oud Bruin e Flanders red ale. Exemplos comerciais desses estilos incluem Liefmans Brown Ale, Rodenbach Grand Cru, e duquesa de Bourgogne. O mosteiro trapista Orval é único na elaboração da única cerveja trapista com características de Brettanomyces. No caso da Orval, os cervejeiros adicionam o fermento à cerveja no engarrafamento.

 

 

Concluindo

Como conclusão, na minha concepção, minha definição do que é cerveja (moderna) é:

“Substantivo Feminino – Bebida levemente alcoólica, obtida pela fermentação de açúcares extraídos de plantas com base de amido, podendo ser malteados ou não. Podendo também ser aromatizada ou saborizada com lúpulo ou outros ingredientes. Levando em conta, que cereais maltados, trazem sabores melhorados a base da cerveja.”

 

 
Biografia
Technologie Brauer und Mälzer – VLB Berlin e.V. – Wolfgang Kunze – 2006.
Brewing Better Beer – Brewers Publications – Gordon Strong – 2011.
Radical Brewing – Brewers Publications – Randy Mosher 2004.
The Complete Joy of Homebrewing – Harperresource Book – Charlie Papazian – 2003.
How To Brew – Brewers Publications – Jon Palmer – 1999.
Larouse da Cerveja – Larouse – Ronaldo Morado – 2009.
Cerveja feita em casa – Publifolha – Greg Hugres – 2013.
Tecnologia de Cerveja – Editora Funep – Waldemar Gastoni Venturini Filho – 2000.